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O sorriso no rosto de Bárbara Roberto Regis mostra a felicidade de estar bem e finalizando, no Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), o tratamento contra o câncer de mama. A paciente de 56 anos realizou cirurgia para a retirada da mama no dia 15 de setembro, com implante de prótese. A agricultora reside em Limoeiro do Norte e realizou, na última quarta-feira (21), a sétima aplicação de 11 imunizantes, administrados a cada 20 dias.
Bárbara conta que descobriu a doença ao realizar exames de rotina, como mamografia anualmente e ultrassom de seis em seis meses. Na família de Bárbara há histórico familiar de câncer de mama. “Eu tive uma irmã que faleceu com 46 anos e, quando ela descobriu, já estava com metástase, logo não teve mais jeito, porque ela não fazia exames de rotina”, disse.
Ao contrário da irmã, o caso de Bárbara foi descoberto cedo devido aos exames rotineiros. “Foi detectado um nódulo suspeito e, na biópsia, viu-se que era maligno. Imediatamente comecei o tratamento e, no último exame que fiz, depois da cirurgia, deu que estou curada porque a descoberta foi precoce”, lembra.
Atendimento de ponta

Se na família tiver histórico da doença, o cuidado deve ser redobrado, opina Bárbara
Na época, ao descobrir, ela foi encaminhada para o HRVJ para iniciar o tratamento. “Foi tudo rápido. O tratamento é muito bom porque todos os exames que precisam são feitos aqui. Além disso, todos os funcionários tratam a gente muito bem”, pondera.
A limoeirense conta que o hospital é muito importante porque facilita o acesso. “Como eu moro aqui em Limoeiro, é muito bom porque fica a 20 minutos da minha casa. Se fosse em Fortaleza, ia ser um dia todo de viagem”, destaca.
Ela aconselha que todas as mulheres tenham o mesmo cuidado de fazer exames anualmente. Ressalta ainda que, se a família tiver histórico da doença, o cuidado deve ser redobrado. “Façam os exames porque, quando é descoberto cedo, há maiores chances de cura. O meu era agressivo, mas, como foi descoberto cedo, estou praticamente curada”, finaliza.
Pioneirismo no interior
Para a diretora de Gestão do Cuidado do HRVJ, Endara Ohara, o HRVJ desempenha um papel fundamental no cuidado às mulheres com câncer de mama em toda a região do Vale do Jaguaribe. “Mais do que oferecer assistência especializada, o hospital representa a oportunidade de realizar o tratamento mais perto de casa, reduzindo deslocamentos e fortalecendo o vínculo das pacientes com suas famílias. Nosso compromisso é oferecer um cuidado humanizado, seguro e de qualidade, garantindo acolhimento e esperança em cada etapa dessa jornada”, explica.
Esse cuidado se reflete nos números. Até setembro, a oncologia do HRVJ atendeu 6.824 pacientes com diversos tipos de câncer. Ao todo, foram realizadas 4.314 cirurgias e feitas 12.120 quimioterapias. O setor foi inaugurado em setembro de 2023, sendo destaque como o primeiro hospital da Rede Sesa a contar com atendimento oncológico no interior do estado. Hoje, o HRVJ é referência em atendimento especializado na região, abrangendo 20 municípios e cerca de meio milhão de pessoas.
Cuidado com humanização no Sertão Central
Se é verdade que o tratamento oncológico pode ser resumido como um caminho desafiador, a professora Idelvânia Rosenda Gonçalves, 47, fez de seu percurso um ato de fé e coragem. Ela concluiu o tratamento contra o câncer de mama no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), unidade da Rede Sesa em Quixeramobim, e comemorou o desfecho com um livro em que conta sua vida e o período enquanto foi paciente oncológica.

O caminhar do tratamento oncológico inspirou Idelvânia a escrever a própria história e publicar um livro, “Relatos de Vida e Testemunho de Fé”
Ela é professora da rede municipal de ensino de Tauá, um dos 20 da macroregião de saúde onde o HRSC está inserido. A unidade é referência no atendimento para cerca de 630 mil habitantes. Idelvânia conta que sempre gostou de rabiscar textos e já trazia o sonho de contar sua história, mas foi durante o tratamento que ela encontrou o tempo e a coragem.
“Embora a razão fosse difícil, escrever o livro foi gratificante porque nele eu conto a minha história. O que eu queria era deixar uma mensagem para meus familiares e sobrinhos, que eles poderiam ter orgulho de mim. Não aquele orgulho da soberba, mas aquele orgulho pela fé, pela coragem”, afirma Idelvânia, que doou todo o dinheiro com a venda dos exemplares para o custeio das ações de missionárias. “Ter sido tratada no Hospital Regional do Sertão Central foi também uma resposta de oração, foi um alívio na alma”, afirma.
Lugar de acolhimento e sensibilidade

Idelvânia distribuiu exemplares do livro à equipe de oncologia do HRSC para comemorar a etapa final do tratamento
O tratamento durou oito meses e, neste período, ela lembra que teve dias de tensão e dias alegres. A espera pelo resultado da biópsia foi um deles, a primeira sessão de quimioterapia foi outro. Mas foi quando ela tocou o sino da esperança, marcando fim do tratamento quimioterápico, que Idelvânia viu que havia chegado ao fim da jornada. “O último dia de quimioterapia, em abril de 2025, ficou marcado pelo toque do sino. Foi um dia de muita espera, de muito alívio, alegria e emoção, em poder estar ali encerrando aquele processo”.
Regionalização
A regionalização do tratamento oncológico é uma realidade que já mudou a vida de milhares de pacientes que são tratados no HRSC, sem precisar de longas e desgastantes viagens até a capital. De julho de 2024, quando o serviço foi lançado, até setembro deste ano, já foram quase 12 mil sessões de quimioterapia. 4.915 pacientes já foram atendidos ou estão em atendimento, e mais de 4.200 cirurgias oncológicas já foram realizadas.
O diretor-geral do HRSC, Cristiano Rabelo, reflete que a chegada do serviço de oncologia ao Sertão Central não deve ser resumida apenas à abertura de um novo serviço. “Na verdade, ela é a materialização de um compromisso com a saúde da nossa população. O impacto positivo que causamos na vida dos usuários é enorme, além de ser muito gratificante oferecer o melhor cuidado possível aos nossos pacientes aqui, perto de suas casas e suas famílias”, afirma.
Para a professora e agora escritora Idelvânia, foi o acolhimento o que mais se destacou na experiência, da recepção aos demais setores por onde passou. “Ali você não é apenas mais um número. Você é o paciente, com uma rede de profissionais disponível para atender. Sou muito grata, imensamente grata. Para além da ciência, a maior característica que eu consigo enxergar como paciente é o bom trato, é o abraço na alma que a gente recebe, é o acolhimento que recebemos de todas as formas”, finaliza.
Texto e Fotos: Joelton Barboza (Ascom HRVJ) e José Avelino Neto (Ascom HRSC)

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